sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

ANO NOVO

                                    (Ao Tio Bertinho )                                         

Oferecemos a outra face
a quem quer que seja
somos filhos da liberdade
morando nessa pátria
onde o povo é o bolo
e a elite, a cereja
Conhecemos o ódio, sim
mas embarcamos com a vida
numa sinestesia morena ai, ai
numa transmutação infinda
Graças á nossa coragem
de ver o mar adiante
jamais calaremos
e o mar
Oh! misterioso mar!
levará nossas palavras
de ouro e de fé
levará nossos tesouros
que ficaram guardados por anos
levará nossos pingentes
feitos de angústia e metais
levará segredos demais
levará lembranças sutis
de velhos carnavais
restos de samba, camisinhas furadas
vômitos de bêbados, de transexuais
cacos de porres anônimos,
alguidar de oferenda,
versos de amores fortuitos,
barcos desfilando prendas
coroa de rainha...
Isso prova
que Dreher
desce macio e reanima
e que até lá
Deus nos permita
comer acarajé
bebendo vitamina
E que o Ano novo
seja sagrado
que nem pão com ovo
e que tudo renasça
nesse mundo
feito moela e o último gole de cachaça
no buteco mais vagabundo
no buteco mais esquecido
onde sei
que a última palavra ( ou a tentativa )
resistirá
O Ano novo
chegará
e nós chegamos
estamos vivos
e nada impede
que façamos
os pedidos
os desejos
que possamos ouvir
menos os sertanejos
e mais notícias boas
que possamos
saber nomear melhor
ministros
que possamos
ter melhor escolha
e uma Seleção
menos caolha, menos Europa
menos roncolha
que, nossa corrupção
assuma de vez
seus filhos
pra não ficar nessa de DNA
depois que o trem
já esmagou todos
amarrados nos trilhos
Enfim,
que todos sejam felizes
e abram o coração
para o novo
para o milagre
de viver o Agora
de viver a plenitude
de viver além
do Sistema Único de Saúde
Sem essa de boa educação
só na hora da merenda
e boa cultura
só pra quem
tem boa renda
Sejamos mais justos
Sejamos o ar puro
que mora nos arbustos
Sejamos a perfeição
que mora nos bustos que é DeMillus
Sejamos a compaixão
e o colírio dos bons olhos
Sejamos o mar
que mesmo estando em abrolhos
nos permite navegar
Sejamos o amor
o único lugar de ser e estar
de viver e cantar
de sorrir e comemorar
um Feliz Ano Novo.
                                 Vitor Pessoa



            

sábado, 25 de outubro de 2014

Ele e ela na disputa



Ao assistir um documentário chamado o Mercado de Notícias há um tempo atrás, hoje tudo se confirma aos meus olhos: a maquina da mídia de manipular resultados em matérias tendenciosas tem extrapolado todos os limites do que se chama "ética" no jornalismo brasileiro. Não quero aqui, levantar bandeiras nem fazer disso um palanque virtual, acho covarde essa atitude, não tem o téte-a-tete da discussão, não existe a espontaneidade da resposta de bate-pronto, o olho no olho, o dente por dente. Quero expressar tamanha indignação por essa forma de se fazer política, um ato imoral, ilegal, injusto, um ato, pra se resumir numa palavra: ilícito!
Ele, astuto, fala em mudança e tem um discurso decoreba, uma "certeza" iluminando a razão, a cara cínica e uma retórica politiqueira de quem manja do jogo e sabe jogar. Ela, idolatrando a dúvida, se revela mais frágil mas está firme e não quer ser conduzida, conduz e induz ao erro: jogo político sem concisão de argumento pode dar merda.
A falha: mudança, ao deus mu dança, vai cair no ritual retroativo da dança da chuva, onde os encarregados serão os que batem o tambor diário da luta pela merreca e pelo pão de cada dia, da tribo dos Guaianazes aos palmeirenses da Turiassu, todo mundo está nu, agora cabe a ele explicar o sentido da mudança. Defina mudança: é reinventar um país mais lógico, mais íntegro, mais justo, mais possível? ou uma prática perigosa de um retrocesso governando o agronegócio dos agropecuaristas agronejos?
Bem, jamais vou tentar convencer alguém, é uma falta de respeito, mas todos temos o dever de não andar pra trás e não deixar o pais no comando dos idiotas da objetividade, esses caras que amam um triste passado de "farinha pouca meu pirão primeiro". Pobres conservadores.
Vitor Pessoa

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Poema pra acordar humanidade



                                             

Acorde homem
que ter a alma desperta é melhor
ás vezes, a engrenagem
precisa de um despertador
precisa de uma atitude
1,2,3,4 e...vamos!
Acorde homem
precisamos de um mundo inquieto
em que todos se mobilizem
por uma causa maior
em que todos participem
mais ativamente do processo
senão a vida entra em recesso.
Acorde homem
e seja sempre bem-vindo
ao ritual cotidiano
o mundo é seu!
mas não se perca no engano
de achar que o universo
está ao seu dispor
Acorde homem
e a cada acorde
busque uma palavra
que o conduza ao sinônimo vivo de liberdade
amando mais
criando mais
vivendo mais
e sempre, sempre mais.
Acorde veja o futuro incerto da sociedade
você pode muito mais
você tá firme pra correr atrás
e fazer melhor do que fizeram de você.
Acorde
e transforme o mundo em cada amanhecer
os homens estão se matando
em guerras meu amigo!
Ainda não desviaram o olhar
do próprio umbigo
não entenderam o real sentido da existência.
Se eles percebessem
quem está por trás dessa ciência
da manipulação
quem está contemplando o massacre
só por ambição ao poder
Se eles percebessem
dariam um basta
e abraçariam o outro ser
distante, diferente
visceralmente outro ser
e se entregariam
á comunhão do fazer
múltiplo, integro, universal
para o bem dessa esperança
que ainda se chama humanidade
Acorde homem...
                                                      Vitor Pessoa

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Meu herói
        (A José Ivan Bezerra da Rocha, meu pai)

Meu pai
Me ensinou
A alegria de ser
Quem eu sou
Me ensinou
A agradecer
E acreditar
Na dádiva divina
Me fez enxergar minha sina
Meu espírito lutador
Coisas que vão além do amor
Se é que existe algo a mais
Do que o amor é capaz
Meu pai
Fez arder em febre
A chama cognitiva
Do meu desejo voraz
Fez perpetuar a espécie
Muito além do grande espelho de nós
Fez com que a minha voz
Amadureça de som
Fez o meu peito me guiar
Ao caminho do bom
Da verdade
De manter a alma guerreira
E, sobretudo,
Coragem
De enfrentar desafios
De enfrentar mares bravios
De sobreviver às turbulências
Da viagem
Meu pai
Me trouxe a essência e a magia
Trouxe olhar e sabedoria
Trouxe até o que não pode dar
Trouxe ação, educação e firmeza
 Trouxe a experiência do seu caminhar
O  pão com gosto de gasolina
O tapa, o bofetão
A grana incerta, a margarina
O gosto amargo de um beijo de cachaça
A glória, o passo em falso, o pranto
A dor e a desgraça
Mas a vida segue a valsa
Em dois lados, o dilema
E a vida que se traça
Não é só feita de poema
A vida só tem graça
Quando faz valer à pena
Quando buscamos a fé suprema
No ser único e criador
Meu pai
Está em meu interior
Me Dando exemplos
De grandeza
De como ser forte
De como ser rocha
De como ser a flor que desabrocha
O tempo inteiro
De não ter medo de mudança
De ser completo, de ser repleto
De esperança
Meu pai
Do infinito ao meu redor
Você é pra mim, o que Deus fez de melhor
O que Deus fez de mais humano
Sorridente, reluzente, indecente, mundano
Sagaz, Imperfeito, coração de cigano
Deus sabe dos seus planos
Da sua missão
Que é ver a luz de cada filho
Acesa ao brilho da união
Meu pai
O que nos resta em comunhão
É celebrar a tua vida
Tua saúde
Tua virtude amadurecida
Tua calma envelhecida pelo tempo
Meu pai
Espero retribuir o alimento
Dedico a você todas as canções
Pra aliviar teu sofrimento
Dedico cada minuto
Da minha arte
Do meu amor e sentimento
Esse amor que me edifica
E me constrói
Herança que vem também
do teu ser
Meu pai
Meu herói.                         
                                                           Vitor Pessoa
                                                                                                                                  








terça-feira, 30 de julho de 2013


PALAVRA DE MUSICA

Quando a palavra encontra a música
Nasce uma coisa mística
Nasce a magia linguistica
E única
Quando a musica encontra a palavra
E um bem que se lavra
E o acorde não trava
A palavra se encaixa
Na emoção intima
Quando a palavra encontra a musica
Gera uma química absurda
è a felicidade suprema
Quando a musica encontra o poema
Se resolve o dilema
E tudo entra no esquema
Criando uma atmosfera lúdica
Quando a palavra encontra a musica
Aos sobressaltos da física quântica
Caem infinitas teorias semânticas
De semióticas teses confusas
Quando a musica encontra a palavra
Escalavra o verso e cultiva
A mixolidia tonal construtiva
Da silaba Tonica modal  semi-fusa
Compreendeu?
Quando a palavra encontra a musica
è o apogeu da lírica e real liturgia
è o encontro do amor e a sensual poesia
E o tritono encontra sua resolução
Quando a musica encontra a palavra
O tom rege a soberana e fiel melodia
A palavra se veste da mesma cor da harmonia
E tudo se faz vida, canção
 Sentimento, alma
Lagrima, voz, coração.
                                   Vitor Pessoa






domingo, 19 de maio de 2013

Anos 70



(feito pro espetáculo Samba 70-Quinteto em Branco e Preto)


Noventa milhões em ação vivendo um clima de repressão e rebeldia, é censurada a democracia, o clímax da intolerância, um tempo cruel de tortura e mudança. Entre tensões, guerra fria, crise no Petróleo e “milagre” na economia. Um presidente deposto e o mundo cada vez mais exposto nas telas de televisão. Torres, o nosso capitão, ergue a taca e houve choro quando morreu Lamarca, golpe militar no Chile, fim da guerra no Vietnã...vivíamos exilados ao som do Gil, Chico, Elis, Jorge Ben, Caetano, Djavan, Bosco, Aldir, Cartola, Martinho, Gonzaguinha, Originais, Adoniran...
Os embalos de sábado a noite travolteavam balanços cada vez mais estilizados, os decibéis cada vez mais altos. Os sucessos entre ascensão e declínio. Tempo de fascínio, de calca-boca-de-sino, Black Power, moicano, grandes óculos, roupas coloridas, Janis Joplin, Bob Marley, morreu Elvis, foi o fim dos Beatles e o apogeu dos jacksons Five, era inicio da era disco: Donna Summer, Village People, punk, new wave, Olivia Newton John, muito brilho, muito ecstasy, jeans, miçangas, safári, estampa floral...
Enquanto eclodia a revolução dos Cravos em Portugal, a Revolução Iraniana, a Guerra no Líbano, no Brasil tivemos Médici, Geisel e Figueiredo, uma era do medo, de intensa transformação. A arte respirando essa atmosfera, com olhos de utopia e quimera, com os pés no chão e clamando Anistia.
Os anos 70 deram luz e cor à fantasia, onde se consagrou o canto intenso de Beth, a explosão de Alcione, a inspiração de Candeia, o espelho refletiu João, Roberto Ribeiro desceu a Serrinha e Clara nos trouxe emoção cantando feito um sabià.
Os anos 70 embalaram nossos sonhos mais bonitos de sonhar e passou, feito um rio carregado de magia
 meu coração se deixou levar.
                                                   Vitor Pessoa




            

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

UMA CANÇÃO PARA O EQUADOR


 "Equador é inspirador, é sentimento..."

Ao pousar em Quito foi notar: a altitude. Faltou fôlego pra descrever o momento...faltaram palavras mas sobraram encantamentos...seria necessário trazer para a vida no papel, para o campo do material fiel pra ser cantado e contado como jubilo e gloria. Quero justificar minha historia, Quero minha brasilatinidad com força e atitude, quero desenvolver a minha virtude de gratidao a essa sabia natureza andina, de ter me ensinado La ruta escondida, seus segredos de arte colonial, a Bella aurora de prazer monumental.
Nao caberia em meu olhar, foi necessario oculos e meu amor, como Darwin, pousou em Galapagos, com seus albatrozes, seus pinguins e pelicanos, suas ilhas no coracao a perder de vista em oceanos. minha canção cruzando os arquipelagos da memoria: meu samba na costa a ver com o mar azul de el pacifico equatoriano, tem a ver com praias virgens e florestas de culturas pre-colombianas, tem preces multicolores das aguas alrededor de La Prata, tem pinzones e fragatas, herancas de um mundo mais humano, patrimonio de um pais soberano.
Foram longas observações, foram estranhas alucinações... o lamento que me habita, habita em Loja e Pichincha, a arquitetura harmonizando a geografia, seu passado e ancestralidade indigena, como Gabriel cantou Cartagena canto o passado historico de Rio bamba, canto no meu samba el templo del sol, a antiguidade de Ingapirca, as 13 nacionalidades indigenas com seus mitos , ritos e lendas, canto as culturas Cañari e Inca, canto a negra Esmeraldas, Tungurahua, Guayas, los rios, Canar, Chimborazo e  bolivar , canto para os Andes, onde se "elevan volcanes" incomensuraveis, meu cantar Cotopaxi  simboliza o vulcao ativo mais alto do mundo, voz de mìtica Cordilheira, voz de Panamérica sem fronteira, voz que nunca terà barreira. Voz universal.
Como a velha Cuenca colonial e sus calles de pedras e plazas floridas eu vejo a vida vertida em espirais, antigas catedrais no fundo d' alma,  canto com olhos envolto de  lágrimas e equinociais provincias, canto dramas de navios partindo em minhas rimas, refúgios de aves marinhas no porto de Guayaquil, canto os mistérios da Amazonia abraçando o meu Brasil. Canto Morona Santiago, Orellana, Pastaza, Napo e Zamora Chinchipe, canto também Manabí, El Oro, Azuay, Imbabura e Carchi, de Sucumbíos a Santa Elena passando por Santo Antonio de Los Tshachilas, todo o sonho que vivi.
Canto para um povo que "vierteron su sangre por ti"
um povo acolhedor, que sabe dar e receber amor:

  Equador é inspirador, é sentimento
"es un árbol fructífero del pensamiento".                                                 Vitor Pessoa