quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Meu herói
        (A José Ivan Bezerra da Rocha, meu pai)

Meu pai
Me ensinou
A alegria de ser
Quem eu sou
Me ensinou
A agradecer
E acreditar
Na dádiva divina
Me fez enxergar minha sina
Meu espírito lutador
Coisas que vão além do amor
Se é que existe algo a mais
Do que o amor é capaz
Meu pai
Fez arder em febre
A chama cognitiva
Do meu desejo voraz
Fez perpetuar a espécie
Muito além do grande espelho de nós
Fez com que a minha voz
Amadureça de som
Fez o meu peito me guiar
Ao caminho do bom
Da verdade
De manter a alma guerreira
E, sobretudo,
Coragem
De enfrentar desafios
De enfrentar mares bravios
De sobreviver às turbulências
Da viagem
Meu pai
Me trouxe a essência e a magia
Trouxe olhar e sabedoria
Trouxe até o que não pode dar
Trouxe ação, educação e firmeza
 Trouxe a experiência do seu caminhar
O  pão com gosto de gasolina
O tapa, o bofetão
A grana incerta, a margarina
O gosto amargo de um beijo de cachaça
A glória, o passo em falso, o pranto
A dor e a desgraça
Mas a vida segue a valsa
Em dois lados, o dilema
E a vida que se traça
Não é só feita de poema
A vida só tem graça
Quando faz valer à pena
Quando buscamos a fé suprema
No ser único e criador
Meu pai
Está em meu interior
Me Dando exemplos
De grandeza
De como ser forte
De como ser rocha
De como ser a flor que desabrocha
O tempo inteiro
De não ter medo de mudança
De ser completo, de ser repleto
De esperança
Meu pai
Do infinito ao meu redor
Você é pra mim, o que Deus fez de melhor
O que Deus fez de mais humano
Sorridente, reluzente, indecente, mundano
Sagaz, Imperfeito, coração de cigano
Deus sabe dos seus planos
Da sua missão
Que é ver a luz de cada filho
Acesa ao brilho da união
Meu pai
O que nos resta em comunhão
É celebrar a tua vida
Tua saúde
Tua virtude amadurecida
Tua calma envelhecida pelo tempo
Meu pai
Espero retribuir o alimento
Dedico a você todas as canções
Pra aliviar teu sofrimento
Dedico cada minuto
Da minha arte
Do meu amor e sentimento
Esse amor que me edifica
E me constrói
Herança que vem também
do teu ser
Meu pai
Meu herói.                         
                                                           Vitor Pessoa
                                                                                                                                  








terça-feira, 30 de julho de 2013


PALAVRA DE MUSICA

Quando a palavra encontra a música
Nasce uma coisa mística
Nasce a magia linguistica
E única
Quando a musica encontra a palavra
E um bem que se lavra
E o acorde não trava
A palavra se encaixa
Na emoção intima
Quando a palavra encontra a musica
Gera uma química absurda
è a felicidade suprema
Quando a musica encontra o poema
Se resolve o dilema
E tudo entra no esquema
Criando uma atmosfera lúdica
Quando a palavra encontra a musica
Aos sobressaltos da física quântica
Caem infinitas teorias semânticas
De semióticas teses confusas
Quando a musica encontra a palavra
Escalavra o verso e cultiva
A mixolidia tonal construtiva
Da silaba Tonica modal  semi-fusa
Compreendeu?
Quando a palavra encontra a musica
è o apogeu da lírica e real liturgia
è o encontro do amor e a sensual poesia
E o tritono encontra sua resolução
Quando a musica encontra a palavra
O tom rege a soberana e fiel melodia
A palavra se veste da mesma cor da harmonia
E tudo se faz vida, canção
 Sentimento, alma
Lagrima, voz, coração.
                                   Vitor Pessoa






domingo, 19 de maio de 2013

Anos 70



(feito pro espetáculo Samba 70-Quinteto em Branco e Preto)


Noventa milhões em ação vivendo um clima de repressão e rebeldia, é censurada a democracia, o clímax da intolerância, um tempo cruel de tortura e mudança. Entre tensões, guerra fria, crise no Petróleo e “milagre” na economia. Um presidente deposto e o mundo cada vez mais exposto nas telas de televisão. Torres, o nosso capitão, ergue a taca e houve choro quando morreu Lamarca, golpe militar no Chile, fim da guerra no Vietnã...vivíamos exilados ao som do Gil, Chico, Elis, Jorge Ben, Caetano, Djavan, Bosco, Aldir, Cartola, Martinho, Gonzaguinha, Originais, Adoniran...
Os embalos de sábado a noite travolteavam balanços cada vez mais estilizados, os decibéis cada vez mais altos. Os sucessos entre ascensão e declínio. Tempo de fascínio, de calca-boca-de-sino, Black Power, moicano, grandes óculos, roupas coloridas, Janis Joplin, Bob Marley, morreu Elvis, foi o fim dos Beatles e o apogeu dos jacksons Five, era inicio da era disco: Donna Summer, Village People, punk, new wave, Olivia Newton John, muito brilho, muito ecstasy, jeans, miçangas, safári, estampa floral...
Enquanto eclodia a revolução dos Cravos em Portugal, a Revolução Iraniana, a Guerra no Líbano, no Brasil tivemos Médici, Geisel e Figueiredo, uma era do medo, de intensa transformação. A arte respirando essa atmosfera, com olhos de utopia e quimera, com os pés no chão e clamando Anistia.
Os anos 70 deram luz e cor à fantasia, onde se consagrou o canto intenso de Beth, a explosão de Alcione, a inspiração de Candeia, o espelho refletiu João, Roberto Ribeiro desceu a Serrinha e Clara nos trouxe emoção cantando feito um sabià.
Os anos 70 embalaram nossos sonhos mais bonitos de sonhar e passou, feito um rio carregado de magia
 meu coração se deixou levar.
                                                   Vitor Pessoa




            

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

UMA CANÇÃO PARA O EQUADOR


 "Equador é inspirador, é sentimento..."

Ao pousar em Quito foi notar: a altitude. Faltou fôlego pra descrever o momento...faltaram palavras mas sobraram encantamentos...seria necessário trazer para a vida no papel, para o campo do material fiel pra ser cantado e contado como jubilo e gloria. Quero justificar minha historia, Quero minha brasilatinidad com força e atitude, quero desenvolver a minha virtude de gratidao a essa sabia natureza andina, de ter me ensinado La ruta escondida, seus segredos de arte colonial, a Bella aurora de prazer monumental.
Nao caberia em meu olhar, foi necessario oculos e meu amor, como Darwin, pousou em Galapagos, com seus albatrozes, seus pinguins e pelicanos, suas ilhas no coracao a perder de vista em oceanos. minha canção cruzando os arquipelagos da memoria: meu samba na costa a ver com o mar azul de el pacifico equatoriano, tem a ver com praias virgens e florestas de culturas pre-colombianas, tem preces multicolores das aguas alrededor de La Prata, tem pinzones e fragatas, herancas de um mundo mais humano, patrimonio de um pais soberano.
Foram longas observações, foram estranhas alucinações... o lamento que me habita, habita em Loja e Pichincha, a arquitetura harmonizando a geografia, seu passado e ancestralidade indigena, como Gabriel cantou Cartagena canto o passado historico de Rio bamba, canto no meu samba el templo del sol, a antiguidade de Ingapirca, as 13 nacionalidades indigenas com seus mitos , ritos e lendas, canto as culturas Cañari e Inca, canto a negra Esmeraldas, Tungurahua, Guayas, los rios, Canar, Chimborazo e  bolivar , canto para os Andes, onde se "elevan volcanes" incomensuraveis, meu cantar Cotopaxi  simboliza o vulcao ativo mais alto do mundo, voz de mìtica Cordilheira, voz de Panamérica sem fronteira, voz que nunca terà barreira. Voz universal.
Como a velha Cuenca colonial e sus calles de pedras e plazas floridas eu vejo a vida vertida em espirais, antigas catedrais no fundo d' alma,  canto com olhos envolto de  lágrimas e equinociais provincias, canto dramas de navios partindo em minhas rimas, refúgios de aves marinhas no porto de Guayaquil, canto os mistérios da Amazonia abraçando o meu Brasil. Canto Morona Santiago, Orellana, Pastaza, Napo e Zamora Chinchipe, canto também Manabí, El Oro, Azuay, Imbabura e Carchi, de Sucumbíos a Santa Elena passando por Santo Antonio de Los Tshachilas, todo o sonho que vivi.
Canto para um povo que "vierteron su sangre por ti"
um povo acolhedor, que sabe dar e receber amor:

  Equador é inspirador, é sentimento
"es un árbol fructífero del pensamiento".                                                 Vitor Pessoa





quarta-feira, 24 de outubro de 2012

OU A HUMANIDADE SE ESPIRITUALIZA OU VAI PRO BURACO ( I )


Caros leitores, meus nobres! Leiam... Mas leiam com atenção! Será que é pedir demais? Será que podemos viver em paz com o mundo? Bem isso pode ser uma súplica, aliás, é uma súplica! Entendam como quiserem. Mas por favor, leiam essas palavras, ou melhor, ouçam a música implícita nessas palavras. Quero que todos sintam cada acorde, cada intervalo, com o coração.
Percebam o mundo a sua volta e respirem, tirem de dentro o pensamento mais profundo e reflitam: é isso mesmo que vocês querem? É isso que vocês sonharam quando eram crianças? Aposto que não! Mas não se culpem, assumam a responsabilidade. Afinal, quem criou esse monstro fomos nós e agora depende de nós virarmos esse jogo. Isso mesmo! Depende de nós! Vamos parar com esse negócio de lavar as mãos e ficar botando a culpa em tudo! Em tempo: o mal quer ver o ódio estampado em nossa face, estamos fazendo o jogo deles, dos corruptos. Estamos reclamando a toa sem agir. Podemos agir de várias formas.
Podemos cuidar melhor do ser humano, começando por nós mesmos! Como? Isso mesmo! Acordar cedo é uma boa forma de agir, tudo bem, tem gente que trabalha a noite, é necessário repouso, mas não deixem de aproveitar o dia. Esse espetáculo! Sintam o calor do sol, quando ele não aparecer, sintam a energia do dia. Façam suas orações diariamente, não se deixem levar pelo corre-corre da vida, estou parecendo um violino de uma corda só, mas insisto nesse tema: Vivam! Sigam os preceitos do dia! Cumprimentem todos os olhares que te encontram na rua, todo olhar exige a troca, ele te percebe e cada ser deve ter um sentimento de cumplicidade com o semelhante. Um bom dia basta... isso é difícil? Não!  É simples! É gratuito!
Atenção com a alimentação: pra que tanto agrotóxico? Pra que tanta química? Pra que tanta gordura? Pra que tanta fritura? Sei que não é fácil encontrar bons produtos em supermercados etc. e tal, mas perto sempre tem uma feira, vocês podem fazer comida simples, saudável e barata com frutas e legumes. Boa alimentação é tratar com respeito o corpo e vocês são o que vocês comem: corpo são, mente sã, isso é tão antigo como chover, mas é uma realidade que nunca envelhece. É também um ato divino. Aliás, sempre antes e depois de comer, agradeçam a Deus pelo alimento, agradeçam aos trabalhadores que contribuíram na fabricação dos pratos, dos copos e talheres que estão ao redor da sua mesa, agradeçam!  Pode ser intimamente, não precisam sair por aí espalhando crenças, respeitem o próximo! Todos nós temos o dever de irradiar nossa melhor luz, façam isso, espalhem por aí a magia, a bondade como filosofia, mas lembrem-se: tentar convencer o outro é uma falta de respeito, é necessário respeito pelas diferenças de religiões, crenças e costumes, optar sempre pela não-agressão, é necessária uma ilimitada compreensão.
Deparamos-nos sempre com pessoas que acham que não tem nada, tem sim! Deus deu sete inteligências (ou mais) pro ser humano explorar e não explora, fica sempre adiando uma mudança de vida... Mude! Agora! É sempre a melhor hora! Seja qual for à idade a vida é maravilhosa e pede o nosso melhor aproveitamento. Como fazer? Se organizar é uma: uma coisa leva a outra e por aí vai... Atitudes como arrumar a casa, lavar a louça, limpar seu ambiente de trabalho é um bom começo, te dá um sentido de controle, de arrumação, de respeito á pequenas coisas, reflete em atenção e sentimento de gratidão. Desenvolva esse sentimento pelos seus mestres até aos que te fizeram sofrer. Lembrem-se: todos eles contribuíram e vão contribuir ao amadurecimento de cada um de vocês. Todos eles contribuíram ao aprendizado, á construção do ser, ao grande e precioso momento: AGORA!
Bem, esse papo vai longe vou dividir por capítulos, como diz meu mestre Sapopemba: já falei demais pro meu tamanho (rsrs) até já meus nobres!






quarta-feira, 12 de setembro de 2012

VÍTIMAS

                    
 Seis corpos vítimas da chacina na Baixada Fluminense. Quem matou? Quem é o real culpado? Quem sabe? Não interessa! O culpado pode ser eu, pode ser você, pode ser quem for. Mas a verdade é uma só: somos vítimas de chacinas diariamente, intensamente, copiosamente. Somos vítimas de uma entressafra catastrófica por excesso de contingência, somos vítimas de um desgaste fatal, imoral, desumano. Somos vítimas de um fator social, racial, tropical, desleal. Também nos fazemos de vítimas quando vitimamos e hostilizamos os seis corpos da chacina na Baixada Fluminense. As vítimas somos nós! Dirá um deputado acusado no escândalo do mensalão ao ver sua desgraça exposta em praça pública logo silenciada nos tribunais da corrupção ou alguém que, num breve futuro, ao ver sua luz ser apagada gritar sua última misericórdia num muro qualquer.Outro dirá: morreu? Mais um...
 Seis corpos vítimas...será mais uma ilustração de TV? Ou a sociedade não vê que, enquanto o mundo de dentro sofre calado somos vítimas do fator consumado que de nada mais nos serve. Talvez sirva de lição: - Ah! Essas vítimas de chacina, agora aprenderam a lição! Não creio... Talvez sirva de inspiração e a violência retoma seu fluxo necessário, sua rotina em notícias de jornal, e olhamos a desventura em cada esquina e em cada esquina o mundo segue mais marginal, mais resignado.
 Seis corpos vítimas e perdemos a capacidade de espanto, de dar acalanto, de perdoar, de olhar o sofrimento de frente e encarar, de refletir, de diálogo ativo, prático, de pensar em soluções pacíficas e não apelar ao ódio contra o ódio. Seis vítimas... Dirá um oficial soberano: é culpa do descaminho, um efeito-correção de um desafortunado, de um mundano, que veio ao mundo por engano. Que se matem! Dirá outro e assim vão se vitimando... Cada batalha com seu ego, cada lápis com seu caderno, cada prego em seu martelo, cada qual com seu umbigo e para o crime só há um castigo: o divino.
 Seis corpos e o destino da nação se mistura á argamassa escura de vidas em construção, andando sem direção, na contramão de tudo que transcende em corpo, água, vida, emoção, luta, alma, anseio, paixão. Seis corpos trazem á tona a reflexão: por que não dar educação? Não essa educação caduca, doente que traz no seu âmago um padrão demente, que afasta, que vicia, que traz no seu bojo uma cruel letargia, que engessa a mente pensante do aluno impondo sua arrogância de ser detentora da verdade única. Seis corpos e a cara cínica dos que governam essa clínica, esse circo sem lona, sempre á beira de um precipício, essa zona regida por um traficante e um fuzil,esse hospício,
essa vítima chamada Brasil.