quinta-feira, 8 de março de 2012

MULHER

MULHER
É UMA FLOR QUE ETERNIZA
É A BRISA QUE AQUECE
UM PEITO VAZIO
ELA VEM
TRAZ A LUZ DA ALVORADA
NA TEZ MAIS CONSAGRADA
DO TEU VENTRE MACIO
MULHER
É QUEM NUNCA SE ESQUECE
QUANDO O VENTO FAZ PRECE
NA AVE-MARIA
E ASSIM
TEU PODER ENOBRECE
SÓ ELA QUEM MERECE
TER AUTONOMIA
MULHER
TRAZ A PAZ MAIS FRATERNA
E JUROU SER ETERNA
COM SABEDORIA
FOI ELA
QUEM GEROU ESSE MUNDO
DO AMOR MAIS PROFUNDO
E VIROU POESIA.
VITOR PESSOA

MULHER

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

30 ANOS

Está mais que provado:
-30 anos não são 30 dias!
não são melodias ao vento
é o começo do intento
da construção do monumento.
30 anos , além de tudo
é o recomeço
é mergulhar no infinito do tropeço
mas também traz o acerto
do lado incerto e seu avesso
30 anos e sinto até uma certa vaidade
mas não é aquela vaidade
de leitão assado em festa grã-fina
é uma emoção que domina
de um cantor que desafina
mas segue a música e não pára.
30 anos
jóia rara
diadema reluzente
diamante transcendente
luz da aurora
é a hora
da poesia em festa
de uma inspiração mais honesta
de uma casa mais modesta
de uma busca.
30 anos
não ofusca minha juventude
é como um ato de prazer e de virtude
é um olhar além da Bíblia e do Talmude
me faz ser um ser mais profundo
muito mais do que pude ser até agora.
30 anos
e meu cantar se revigora no mundo
buscando a essência e o lamento
é a leve explosão do sentimento
por dentro e por fora
é onde tudo se encaixa
é onde a vida adulta bota a faixa
na trêmula alma de criança...
30 anos
sem cair na contra-dança
sem macular os princípios
sem perder a fé na esperança
de um Brasil mais justo
de um Brasil menos corrupto
com menos agrotóxico
menos disléxico, menos calórico
sem essa de ficar comemorando o avanço raso.
30 anos
e o Brasil ainda insiste nesse atraso
da ignorância no papel principal
do racismo cruel e abundante
leviano coadjuvante, inquisitório e imoral.
30 anos
o desejo de reinvenção
e a vida escrevendo no quadro
a lição de cada dia
30 anos traz filosofia
e a dor calejada em cada mão
é o espírito do tempo
nas asas de um tempo sem glória nem paixão.
30 anos
foram além dos meus planos
já curei minhas mágoas, desenganos
em outros oceanos
destinando ao meu caminho um outro enredo...
30 anos
e a vida parece um arvoredo
parece não ter mais segredo,
é só viver com paz e tranquilidade.
30 anos
e a certeza maior que invade
do lado esquerdo do peito, uma saudade
e o futuro depende de onde a gente vem
30 anos
e a verdade maior determina:
a Existência do amor nos ensina
governa, ilumina
Amém.

domingo, 13 de março de 2011

Sete Caminhos

Caros leitores, enquanto a crônica não vem, sintam essa letra do samba mais novo em parceria com o grande Wilson das Neves em homenagem à nossa rainha do mar.


Sete Caminhos
(Wilson das Neves / Vitor Pessoa)


Oh! Yemanjá é tão bonito
os saveiros sobre o mar
a prece de um pescador aflito
trazendo a esperança no olhar
oh! Yemanjá eu não esqueço
dos meus presentes lhe ofertar
eu só peço a paz e agradeço
saúdo o teu reino: Odoiyá!

oh! doce mãe, minha rainha
dona de todos oceanos
teu seio é o símbolo da vida
pra curar nossos desenganos
toda beleza se enfeita de amor
quando seu manto espelha o luar
cada ser é mais feliz
que crê e respeita Yemanjá (refrão)

deixei flores, colares e perfumes
em seu ibá de porcelana
num leque de conchas e cardumes
és tão divina e soberana
em todo mar onde houver devoção
seja qual for a nação dos fiéis
Yemanjá mostra a diretriz
nos sete caminhos das marés (refrão)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Milagre de natal




Plantei uma rosa em meu quinhão
no meu quintal
tinha até caramanchão
todo tecido
em goiabeiras, rouxinóis...
Não caberia em meu olhar
se eu não tivesse a prosa
se eu não tivesse a voz
rouca do mar.
Essa rosa,
filha da possibilidade
era o mistério da verdade
da verdade singular.
Ao atravessar
sabiás da imaginação
atravessava a construção
de um samba puro
e reteso de amor.
Era a criação e o criador
subindo nas alturas
sem precisar de elevador
e eu era um boêmio
que andava ocupado
bebendo todas
sem ligar pro ordenado
só ligava pro trinado
dos colibris
eu era um cafajeste
de estandarte e busto
em chafariz
vivia com as rosas perversas
dos cabarés
com os pobres-diabos
sem vintém
na consciência clara
de ser João Ninguém

...

O bonde arrastava
o meu último desejo
e Vila Isabel
tinha uma cadência
de choro suave
eu era uma ave
peregrina e constante
até chegar na Praça Sete
(quantos beijos dava nas vedetes...)
a Vila era a maquete
do meu sentimento
minha princesa libertária
o ápito da fábrica de tecidos
me embalava
e uma voz ordinária
me chamava
implorava
em me fazer recuperar
a sanidade e a memória:
a minha rosa ficou esquecida
pelos confins da aurora
nunca mais foi regada
pelo orvalho da madrugada
em meu jardim afora
me perdi na tragada
de um cigarro vagabundo
me perdi na escarrada
de um verso moribundo...

...

Então, Deus iluminou meu verso
e a minha rosa
assumiu um caráter
enfeitiçado
ela até descolou um babado
que era a roupa que faltava
pro meu verso que sonhava
um poema popular
-em feitio de oração-
essa rosa é filha da prosperidade
de uma febre em convulsão
da cantiga doce de sonhar
da Cidade-mulher
sobre um terreno-coração
qualquer.
Natal...
É como uma revelação
sem anjos tocando trombetas
porque não é juízo final
é a espera em comunhão
de um samba em contradição
ao ritual invasor
sem a porra toda do estrangeiro
é um natal bem brasileiro
com bastante cachaça e pagode
em celebração
ao nosso senhor
E a minha rosa
reluzindo pétalas divinais
foi, aos poucos, sendo tocada
por um estranho rapaz
um jovem camarada
que veio descendo
pela chaminé
(e eu não tinha bebido nada!)
foi sendo incorporado a ela
no incrível milagre dos deuses
está sacramentado
juro por tudo que é mais
sagrado em Vila Isabel
cheguei perto dele
perguntei seu nome
e ele me disse:
NOEL.

Vitor Pessoa

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

MLB

O couro comeu e foi à vera: varios canapés, sushis , sashimis, bebida à pamparra e ao som de `Ne me quite pas´ a galera da "ativa" ficou com a bunda nas brasa quando soube da TPM (tocado por mulheres)e saiu distribuindo Diazepam pra tentar prevenir a guerra mas o ambiente rolava cool, clima esotérico no ar, era campari e atitude, pufs, "sensuous wispher" no ouvidinho e a luz violeta dava o tom do mantra incansável e simpatizante.
Tudo rolando conforme o anúncio e a TPM já foi sacando as peças: cajón, bongo, pandeiros , guitarra folk. Tudo muito acústico pra ficar lounge ,tudo muito performático pra soar groove, tudo muito light pra ficar soft. Conforme a presença do Movimento Lado Brisagem (pra não dizer visagem )e do Música Leve Bruta (movimentinho filho da outra!) foi feita a discussão do Estaputo do Movimento com direito a maquiagem e cílios postiços , tudo como manda o fetiche, descontos de 50% no Sex shop , central de relacionamento, logística e painel de idéias pro jogo não morrer empatado.
Movimentos contrários e à favor hastearam bandeiras, descreveram estátísticas mas foi quase impossível chegar à conclusão: no lé com lé e no cré com cré,o tempero do molho quase desandou, foi um shopping center de bizarrisses e pombagirisses e quando chegou na apoteose, rolou o maior trelelê na via de mão dupla da discussão, afinal, o partido da oposição não arredou o pé da sua posição e a suruba foi cancelada por não oferecer estado de perigo, já que o samurai da espada-bamba levou um ipon e caiu de cara no tatame .
Bem, após divagações sobre poesia concreta, jece valadão, nouvelle vague e underground soul só faltava dar um toque retrô com pin-ups nem um pouco modernas e acordes futuristas fazendo a cama , uma voz sexy e grave entoava uma loa num sussurro fatal ao fundo, e, cheia de bloody mary na cuca , a acusada do evento elegeu a comissão de notáveis : teve madrinha , padrinho, acessoria de imprensa, editora, gravadora, artes plásticas e botox, diretor de palco, de proscênio , de camarim, personal trainner, o escambau. Tudo orquestrado por um arranjador(de confusão)e um empresário(de araque).
E todo mundo aderiu a causa mas o placar seguia incorruptível eis que pintou a Aretuza, garota escolada, vinda das oropa, ninfeta importada. Considerada por causa de sua dupla cidadania. Aretuza: que come e se lambuza, que bebe e não se abusa, que usa roupa made in Usa. Foi a maior porrada da diplomacia multilateral, invasões na faixa de gaza com direito a fio-terra provocando delírios e concessões...
Estava decretada a nova tendência, um novo conceito, influências tropicalistas e canibais, inspirações antropofágicas de orgias e carnavais. O negócio era ir no cartório e abrir bem a firma antes que o pessoal do Movimento Lábios Beiçudos e do Madames Líricas e Bombadas viesse pra botar mais lenha na fogueira na festa da Musica Liberal Brasileira.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

sala de reflexões


Na sala de aula

Lí em uma revista, totalmente alheia a nossa realidade, que está vindo da Inglaterra uma onda (que já veio há muito tempo!) de que ser inteligente na sala de aula está fora de moda, há um pensamento de que é brega bancar o inteligente onde os jovens se miram em exemplos de celebridades como o empresário Barão Sugar, milionário que costuma se vangloriar das notas baixas que alcançou na escola ou do não menos famoso David Beckham, que nas declarações, não dá a impressão de "explorar capacidades intelectuais particulares".Bem, não vou louvar aqui os alunos arrogantes, que desprezam os alunos "menos dotados", se é assim que eu possa definir, sei que há vários tipos de inteligência e cada ser tem a capacidade de explorar a sua, que revela nossos talentos e limitações, mas, em torno desse assunto podemos gerar várias discussões a respeito e uma coisa é certa:estamos caminhando na contramão da evolução natural do ser humano.Sempre aprendi com os mais velhos os valores da busca incessante do conhecimento, através dos livros ou não, aprendi o que é valorizar cada aprendizado e repartir aos que não tem acesso.Tenho muito orgulho de afirmar que no colégio eu era tido como CDF, por isso um pouco menosprezado pelos colegas "sociáveis", eu vinha de um bairro distante sem dinheiro pra "conduça", duro feito um coco só me restava transformar meu sacríficio em estudo e atenção na sala de aula.Hoje, meus colegas de classe devem estar sentindo os efeitos da perigosa distração e bagunça na sala de aula.
Vejo alguns ídolos da juventude brasileira também contribuindo pra essa triste realidade: a fulana que apareceu de vetido curto na faculdade e virou celebridade instantãnea, a Ex-bbb que apareceu nua em revista masculina e depois virou apresentadora de programa de auditório, o cicrano jogador de futebol que fatura milhões sem saber se expressar e acha que o mundo gira em torno dele e ter grana o faz um homem acima do bem e do mal, eu poderia listar aqui esses que se acham artistas que entraram na política, desde o Tiririca à mulher pera, maça, uva, sei lá, que equiparam-se em ignorãncia e desprezo à inteligencia humana.Mas não vou fazer isso, acho que está bem evidente onde eu quero chegar: Os jovens se inspiram nesses exemplos pra buscar um caminho,um atalho, onde se faz necessário o mínimo de esforços, permanecendo numa zona de conforto interminável, na ilusão de um estrelato sem brilho mas voluptuosamente agradável.É sempre bom lembrar do nosso sistema de ensino que facilita a formação do aluno ao invés de desafiar, de punir, de julgar quando necessário.Sendo assim o jovem perdeu a voz de questionamento, perdeu a avidez de conhecimento, falta opinião e rebeldia coesa para botar a boca no trombone em tudo que é imoral e corrupto.
Devemos louvar os estudos, participar mais, pesquisar mais, ir além do ensino convencional, explorar mais nossos professores, o governo prefere não investir em educação pro povo para se tirar um grande proveito disso: ter o domínio sobre ele.O conceito de inteligencia se faz, nos novos tempos, um princípio de personalidade amena, sem graça, fora da realidade, em resumo: fora de moda.Entretanto, é pesado na mesma balança e dá espaço ao pensamento raso e imediatista, que urge num imenso fast food de mediocridades e banalidades, frutos de um povo cada vez mais ignorante.